Amiga antes que alguma fofoqueira invejosa resolva te contar, resolvi escrever. Soube do rompimento de teu namoro. Estou contigo, amada! Concordo com tua decisão em número, gênero e underground. És forte, linda, inteligente, maravilhosa, sempre tiveste tudo que desejaste, sei que rapidamente estarás glamurosa novamente. Quem sabe encontres alguém com a tua cara na viagem que andavas planejando. Só não irei contigo, pois não tenho disponibilidade financeira como tens.
Bem, o que estou sendo obrigada a contar, por medo que tentem acabar com nossa amizade (que bem sabes, é tudo para mim) por pura inveja e despeito, é que encontrei, por acaso, teu ex na academia dele. Conversa vai, conversa vem, percebi que ele estava muito desanimado, posso até dizer, sem exageros, deprê. Que dó! Amigaaaa, o pobre estava arrastando o traseiro no chão!!! Sabes que tenho um coração muito grande. Não posso ver um amigo triste e por saber que haviam rompido, sugeri de ir até o apartamento dele na tentativa de fazê-lo rir um pouco. Ele custou a aceitar, mas, como eu afirmei que não aceitaria uma recusa, acabou concordando. Chegando lá, me deparei com uma bagunça enorme. Arremanguei as mangas de meu vestidinho e deixei o cantinho do bofe impecável. Aproveitei e fiz a massa que uma vez me contaste que ele adora. Ele é dificil, hein! Não queria comer (nada...). Agradeceu meu empenho em ajudá-lo, abriu a carteira e tentou colocar em minha mão dinheiro para o táxi. É claro que não aceitei! Nesse momento, senti-me ofendida (sabes como sou sensivel) e por mais que tentasse, não consegui conter as lágrimas e chorei muuuuuiiito. Ele ficou desatinado e concordou em jantarmos juntos. Antes de sentar à mesa, percebi que minha roupicha estava suja e molhada (por causa da faxina) e perguntei se ele tinha algo que eu pudesse vestir. Ele disse que não havia nenhuma de tuas roupas por lá. Sabes que não sou de frescuras. Corri para quarto dele e coloquei a primeira camisa que encontrei. Cheguei na sala e fui logo dizendo, para não constrangê-lo, que ele me visse como um dos caras da academia, porque, para mim, amigo não tem sexo, tem essência. Jantamos, conversamos, consegui arrancar um sorriso dele. Me troquei, nos despedimos e quando estava entrando no táxi (lá pelas 4 da madrugada), de cabelo molhado (sou limpinha, não iria colocar minha roupa, embora estivesse suja, com o corpo suado... da faxina) o carro da Aninha estava passando. A invejosa freou bruscamente e colocou o corpo para fora, olhando no fundo dos meus olhos. Eu como sou totalmente da paz e amoooo ela de paixão, acenei, dei um sorriso e entrei no táxi.
É isso, amiga! Tenho certeza que não irás maliciar, pois sei que és tão pura e ingênua quanto eu.
Ha, um conselho de irmã: se ele te procurar não reates o namoro! Acho que ele já está saindo com alguém. O que será que a Aninha estava fazendo por aquelas bandas na madrugada? Abre o olho, amiga!
Tua amiga para sempre.