domingo, 22 de novembro de 2009

Opção

A voz que canta e chama e consola pode também calar, ofender, vociferar e lançar para longe muito longe bem mais longe quem por receio e medo e dor iniciava timidamente a aproximação. O olhar terno e doce às vezes fuzila e atravessa o corpo, a alma e os pensamentos. Os braços que enlaçam, protegem e amparam podem, sem aviso, banir, enxotar e cruzarem-se na afirmação da omissão. As mãos que acenam e ofertam também batem, machucam, beliscam e assim como a voz, o olhar e os braços colocam trancas em um corpo que poderia cantar docemente
e amparar
e oferecer a mão.

sábado, 21 de novembro de 2009

DNA

Por que os homens da minha família têm tanta preocupação com a idade? A preocupação é com a idade dos outros, é claro. Um primo comentou comigo que em dezembro fará 46 anos. Uau! Quase meio século, pensei. Mas como nada tenho a ver com o tempo que ele já anda por aqui e também por conhecer a figura e os comentários que faz sempre que menciona sua própria idade, a observação ficou somente no meu pensamento. Pois é, prima... 46 anos (falou pausadamente). Estamos ficando velhos. Estamos quem cara pálida? Tive que me manifestar. Não nasci contigo, não sou tua irmã gêmea. Qual a relação que tem a tua idade com a minha? Ele riu e eu, irritada, curiosamente, ri também. Afinal, não dá pra levar em consideração o que maluco diz.

Outro familiar curioso é o meu pai. Ele é bonitão, charmoso, bem humorado. Não há quem diga que a criatura é meu pai e muito menos que já seja avô. Tempos atrás, ele estava hospitalizado para colocar uma ponte de safena e na sala de cirurgia alguém mencionou a idade dele. Segundo o véio, os médicos entraram em um debate sobre como ele com a aparência tão jovem poderia ter tal idade. Bem, isso foi a primeira coisa que meu pai contou assim que acordou. No banco onde ele tem conta, já foi levado pela mão por um gerente para que os colegas "chutassem" a idade dele. Ha, ele adora isso! Já perguntaram se meu pai era filho da minha mãe. Que absurdo! Ela, na época, nem xingou quem teve a insanidade de fazer tal pergunta, porque já estava doente e achou que sua aparência estava prejudicando a percepção das pessoas. Mas isso não basta para ele! Meu pai diminue tanto a idade que já estou mais velha do que ele. Ele sabe a idade de todos, mas pouquíssimos sabem a dele. E quando alguém tenta revelar o maior mistério da família, ele, obviamente, trata de "desmentir" o parente.

Na Santa Casa, um dia, meu pai acompanhando a minha mãe e a Rê, atual esposa dele, de braços com as duas, depois de deixá-las acomodadas nas poltronas foi até o guichê para informar que elas já haviam chegado. Reza a lenda, que a funcionária, para quem ele joga charme, segundo a Rê, muito sensibilizada com o comprometimento dele, afirmou que nos dias de hoje não há rapazes sendo tão companheiros de senhoras mais velhas. Rapaz? Senhoras mais velhas? Só rindo! O pior é que a mãe e a Rê confirmaram essa história. Quando ele ouve essas bobagens faz cara de bonito e, às vezes, dependendo da situação, rola até uma dançinha. Meu pai deve estar gagá!

E por falar em idade, lembrei que meu aniversário está próximo. Acontece algo peculiar quando chega essa data. A cada ano fico mais jovem. Sério! No banco onde tenho conta, um dia desses, minha gerente me levou pela mão até os colegas...

Sem pé e cabeça


Ele muito animado. Ela mais pra lá do que pra cá.
Telefone toca e ela, após ficar alguns minutos olhando para o aparelho quase rouco de tanto gritar, atende.

- Alô!
- Oi, prima! E aiiiiiii, tudo bem?
- Aham.
- Tenho ligado todos os dias.
- É? Mas fala. O que foi?
- Quero saber como está só isso.
- Bem.
- Que bom, então. Sabe, acho que já te falei que estou estudando e participando de uma religião. Preciso trabalhar minha espiritualidade. Estou me preparando...
- Legal.
- Olha só, mas não pense que deixei de ser homem!
- Hã?
- Estou mais espiritualizado, mas não estou brocha, continuo homem e meu nome ainda é ...
Fora da casinha, pensou a prima.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Imortalidade

Em um dia em que o estado parecia que seria engolido pelas águas da chuva, parei por um momento para pensar na brevidade do tempo. Tempo transcorrido. Ando um tanto angustiada em relação ao tempo duro, que não volta, que passa e não abre uma excessão sequer. Quando eu era criança lembro de pedir, em um dia no mês de maio, o direito à imortalidade das mães. Sonho de criança que pressente que um dia poderá ficar só. Claro que talvez eu estivesse pensando mais em mim do que propriamente em minha mãe. A ideia de ficar sem ela me aterrorizava como um pesadelo em sequência. Cresci e esse meu desejo pareceu-me egoísta demais. Há alguns dias atrás vi voltar a vontade daquele dia das mães na criança que despertou dentro de mim. O temporal de hoje, apesar de devastador, trouxe lembranças de um tempo bom em que ela fazia bolinhos de chuva e batia um chocolate quente iniqualável, e mesmo com a saudade que me faz companhia 24 horas por dia todos os dias, entendi que de alguma maneira meu pedido, daquele dia das mães, foi atendido. Minha mãe tornou-se imortal em minha lembrança, nos exemplos deixados, no sorriso meio tímido, no amor generoso presenteado a tantas pessoas e na força de heroína de estórias infantis.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Encantamento

Tenho refletido muito a respeito da crescente taxa de envelhecimento no país. O tema passa muito além de estatísticas e de números percentuais. Estamos vivendo melhor e este fato reflete na longevidade da população. Viver melhor pressupõe uma série de fatores que unidos têm como produto indivíduos vivendo por mais tempo com qualidade de vida. Enfatizo, estou falando de vida e não de sobrevida.

Mais do que o olhar apurado de parte da sociedade e dos governos na questão do envelhecimento, temos uma mudança de comportamento da população idosa. Mulheres e homens com mais de 60 anos não contentam-se em ser apenas a vovó e o vovô, que cuida dos netos enquanto aguarda a morte, tanto no contexto familiar quanto social. Independente de classe social, instrução e qualquer outra característica que possa dividir as pessoas em grupos, esses cidadãos estão em busca da realização de projetos que, por um motivo ou outro (que não pretendo elencar neste post), não puderam ser realizados quando mais jovens. Várias histórias de vida fundem-se com esses projetos de vida e, a partir daí, formam novas histórias e novas vidas.

E é essa atual postura que provoca em mim inquietações. Os idosos, apesar da nova roupagem interior adquirida, não deixam, na maioria dos casos, de exercer o papel a eles designado ao longo da história. Continuam sendo a vovó e o vovô, mas também o indivíduo que contribue financeiramente com a manutenção da família, que questiona, que transmite ensinamentos não somente verbalmente, mas com atitudes, e busca novas alternativas e conquistas. Os sonhos tornam-se realidade. Juntar letras, decifrar códigos de escrita, ingressar no mundo letrado é um dos inúmeros projetos de vida almejado por muitos idosos. O mínimo passa a ser o máximo. A memória individual auxilia na construção da memória coletiva. Entendem, agora, o motivo de tantas inquietações?

Não concordo com quem afirma que pessoas mais velhas têm muita dificuldade em aceitar o novo. Não é a idade que torna alguém travado, muito pelo contrário, no meu ponto de vista. É claro que o cidadão não passa a viver em um conto de fadas porque tornou-se idoso, mas, de alguma maneira, o movimento da vida no passar dos anos agrega à capacidade de reciclar-se.

Por hora, ficarei por aqui, mas aviso que ainda escreverei muito sobre essas pessoas e seus ensinamentos. Exemplos de vida que provocam em mim esse estado de total e n c a n t a m e n t o.

domingo, 15 de novembro de 2009

A carta - ponto final

Vic, acho muito estranho falar contigo por carta, parece coisa do século passado. Mas, pensando por outro prisma, identifiquei certo romantismo nesse tipo de comunicação. Recebi tua carta e intui que boa coisa não era. Depois de lê-la fiquei alguns minutos sem nada pensar. Congelei. Depois de passado o susto, achei que tivesse enlouquecido ou quisesse enlouquecer-me. Queria dizer tanto, mas juntar as palavras e transmitir o que sinto não é tarefa simples.

Não entendo o que houve contigo. O que aconteceu com nós dois? Parecia estar tão feliz comigo quanto eu estava contigo. Hoje, percebo que não te conheço como julgava conhecer. Deixaste uma guerra sendo travada dentro de mim. E não pense que "minha guerra" não é real. Seja qual for o resultado final, se matar ou morrer, sairei perdendo.

Te peço um favor, páre de pedir para tuas amigas me seduzirem na tentativa desesperada de justificar o fim de nossa história. "Ele é um canalha, por isso terminei tudo". Não esperava tal atitude vinda de ti! Fiquei chocado com o teatrinho da Vênus (ela deve gostar muito de ti para ficar até a madrugada interpretando a amiga oferecida) e quando pensava já ter sido ridicularizado demais, aparece, fingindo coincidência e ciúmes, a Ana. Não subestime minha inteligência!

Me enganei e muito contigo. Acabou, talvez, não da maneira que querias, mas acabou. Fica a pergunta: quem és afinal, a mulher sensivel e insegura da carta ou a menina imatura e fria que dirigiu as cenas patéticas das amigas? Não irei perguntar sobre a mulher por quem me apaixonei, pois essa sei que foi criação do meu desejo de encontrar alguém com quem dividir e somar alegrias, planos, cama, conquistas e amor.

Marte

A carta III - desabafo

Vic amiga, como vai?

Tenho ligado para teu celuar e para tua casa. Não recebestes meus recados? Sinto como se estivesses fugindo de mim.

Preferiria falar pessoalmente, mas devido a urgência do assunto... serei direta, amiga! Sei que terminasse tudo com o teu (ex)namorado. Vocês pareciam um casal perfeito! Fiquei chateada com a notícia, mas deves ter teus motivos. Como somos amigas, não posso deixar de revelar o que acredito que esteja acontecendo. Sabe o dia daquele show no Teatro Lie? Depois que deixei a Paula e a Maria em casa, passei em frente ao prédio onde o Mart mora. Era madrugada. Para minha surpresa e decepção vi a Vê saindo do prédio com um jeito muito suspeito. Cabelo molhado. Teu ex estava no portão. Parecia que eles estavam discutindo. Freei o carro e coloquei meu corpo para fora. Queria que os dois me vissem. A Vê, muito sem graça, acenou e entrou no táxi que estava parado em frente ao prédio; o Mart parece não ter percebido minha presença, parecia transtornado. O táxi saiu acelerado. Talvez, a Vênus tenha pedido ao motorista sair de lá depressa. Foi aí, que resolvi descer e falar com o Mart.

Desculpa se pareço intrometida, mas fiquei tão aborrecida com a situação que nem pensei direito no que estava fazendo. Fiz algumas perguntas a ele e como não obtive resposta, voltei para meu carro e segui para casa.

Queria contar tudo isso olhando nos teus olhos, Vic. Sempre fomos tão amigas, não é? Mesmo nosso primeiro contato tendo sido tão inusitado, gostei de ti logo de cara. Aquela confusão do Mart estar saindo contigo, quando ainda não tínhamos terminado definitivamente o namoro, ficou no passado. Admito que ele mudou muito depois que vocês se conheceram. A decisão de ficarem juntos, apesar de não levar em consideração o sentimento dos três, foi acertada. Não quero que penses que é "revanche". Eu não seria capaz disso, assim como não sairia com alguém comprometido.

Era isso que precisava contar. Espero que saibas como agir. Perdão por não poder te ajudar mais. Mas, acredito, que mesmo entre amigos há um limite; o meu é aqui. Daqui para a frente é contigo.

Ana

A carta II - amiga da onça?

Amiga antes que alguma fofoqueira invejosa resolva te contar, resolvi escrever. Soube do rompimento de teu namoro. Estou contigo, amada! Concordo com tua decisão em número, gênero e underground. És forte, linda, inteligente, maravilhosa, sempre tiveste tudo que desejaste, sei que rapidamente estarás glamurosa novamente. Quem sabe encontres alguém com a tua cara na viagem que andavas planejando. Só não irei contigo, pois não tenho disponibilidade financeira como tens.

Bem, o que estou sendo obrigada a contar, por medo que tentem acabar com nossa amizade (que bem sabes, é tudo para mim) por pura inveja e despeito, é que encontrei, por acaso, teu ex na academia dele. Conversa vai, conversa vem, percebi que ele estava muito desanimado, posso até dizer, sem exageros, deprê. Que dó! Amigaaaa, o pobre estava arrastando o traseiro no chão!!! Sabes que tenho um coração muito grande. Não posso ver um amigo triste e por saber que haviam rompido, sugeri de ir até o apartamento dele na tentativa de fazê-lo rir um pouco. Ele custou a aceitar, mas, como eu afirmei que não aceitaria uma recusa, acabou concordando. Chegando lá, me deparei com uma bagunça enorme. Arremanguei as mangas de meu vestidinho e deixei o cantinho do bofe impecável. Aproveitei e fiz a massa que uma vez me contaste que ele adora. Ele é dificil, hein! Não queria comer (nada...). Agradeceu meu empenho em ajudá-lo, abriu a carteira e tentou colocar em minha mão dinheiro para o táxi. É claro que não aceitei! Nesse momento, senti-me ofendida (sabes como sou sensivel) e por mais que tentasse, não consegui conter as lágrimas e chorei muuuuuiiito. Ele ficou desatinado e concordou em jantarmos juntos. Antes de sentar à mesa, percebi que minha roupicha estava suja e molhada (por causa da faxina) e perguntei se ele tinha algo que eu pudesse vestir. Ele disse que não havia nenhuma de tuas roupas por lá. Sabes que não sou de frescuras. Corri para quarto dele e coloquei a primeira camisa que encontrei. Cheguei na sala e fui logo dizendo, para não constrangê-lo, que ele me visse como um dos caras da academia, porque, para mim, amigo não tem sexo, tem essência. Jantamos, conversamos, consegui arrancar um sorriso dele. Me troquei, nos despedimos e quando estava entrando no táxi (lá pelas 4 da madrugada), de cabelo molhado (sou limpinha, não iria colocar minha roupa, embora estivesse suja, com o corpo suado... da faxina) o carro da Aninha estava passando. A invejosa freou bruscamente e colocou o corpo para fora, olhando no fundo dos meus olhos. Eu como sou totalmente da paz e amoooo ela de paixão, acenei, dei um sorriso e entrei no táxi.

É isso, amiga! Tenho certeza que não irás maliciar, pois sei que és tão pura e ingênua quanto eu.

Ha, um conselho de irmã: se ele te procurar não reates o namoro! Acho que ele já está saindo com alguém. O que será que a Aninha estava fazendo por aquelas bandas na madrugada? Abre o olho, amiga!

Tua amiga para sempre.

sábado, 14 de novembro de 2009

A carta

Eu sei que pensarás que estou enlouquecendo, mas é exatamente para não perder o juízo que resolvi terminar nossa história com uma carta. Tudo estava perfeito demais para ser verdade! Eu sei, amor, prometi e me comprometi. Mas a culpa é tua! Por que não te contentasse em apenas saber meus segredos? Dei a ti meu sentimento mais verdadeiro. Te escolhi para ser meu parceiro, companheiro, amigo, comandante e comandado. Esganado! Não bastava ver meu corpo nu? Tinhas que desnudar-me inteira. Era realmente necessário ler o que de mais íntimo trago comigo como se estivesse folheando uma revista colocada na recepção de um consultório? Invasivo! Olhas em meus olhos e percebes o que não falaria nem a meu analista. Por favor, não insista! Quero minha privacidade de volta. Preciso manter guardadas coisas que não revelaria nem mesmo a minha melhor amiga.

Não te dei permissão para ires tão longe. Sinto-me do avesso quando esse olhar terno e profundo pousa em mim. A verdade do que nem mesmo eu sabia, me confunde e assusta. Talvez não desejasse, realmente, alguém perfeito. Pelo menos não tão perfeito. É isso! Descobri escrevendo a carta que quero um homem imperfeitamente perfeito.

Um arrepio percorre meu corpo. Receio sucumbir a tentação de estar contigo. Tuas palavras dançam em minha mente uma melodia doce e suave. Bailam recordações de momentos que trarei comigo mesmo quando as lembranças fugirem à ordem cronológica dos acontecimentos. Sinto-me compelida a rasgar a carta em mil pedaços. Não. Não a destruirei. Juntarei os pedaços que deixaste espalhados nos lençóis de seda e me tornarei inteira novamente. Terei de volta os segredos que são guardados secretamente em algum lugar, que nem eu mesma sei, dentro de mim.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta-feira 13


Sexta-feira 13. Tic-tac. 23:51 horas. Chuva forte e barulhenta. Manica havia passado o dia tão tensa que sentia as horas dobradas. Esse dia parece não ter fim, pensou ela. Já tinha quebrado a chave na fechadura do armário da academia, trancado o braço na porta do elevador do curso de inglês e virado o pé no supermercado que para não se estatelar no chão, tentou apoio, sem sucesso, na prateleira de bebidas a sua frente. Fiasco total! O barulho das garrafas quebrando a cara no encontro com o piso lisinho só não foi maior do que o grito que saiu de sua garganta. Por sorte não cortou-se toda. Resolveu, então, ir para casa, preparar o jantarzinho romântico que havia combinado com o namorado, avisá-lo para chegar mais cedo, pois estava previsto temporal para o início da noite, e rezar para que o dia acabasse logo.

Tic-tac. A campainha soou e ela correu para abrir a porta para Fabinho. Levou um susto quando viu o rapaz ensopado. Ele explicou que o carro estragou e sabendo que ela deveria estar nervosa com seu atraso, fechou o veículo e rumou, a pé, para encontrá-la. Tic-tac. Meu herói, disse Manica. Enquanto Fabinho colocava uma roupa do pai da menina, que por sorte (ou azar) estava viajando, as luzes da casa apagaram. Manica fez o sinal da cruz e começou a fazer uma oração estranha para afastar o mal, que tinha memorizado de um filme de terror. Isso só pode ser culpa da sexta-feira 13, pensou enquanto rezava. Tic-tac. 00:00 horas. Manica sentiu um arrepio quando a mão gelada de Fabinho tocou em seu braço, puxando-a para debaixo do edredon. O rapaz disse baixinho: Já não é mais sexta-feira 13. Já é sábado, dia 14. Ela sentiu um alívio e aproveitou que os pais não estavam, que havia caido a energia elétrica e que estavam embaixo das cobertas para fazer estrepolias com o namorado.